do som dessa palavra nasce uma outra palavra fulinaimicamente no improviso do repente do som dessa palavra nasce uma outra palavra fulinaimicamente
sexta-feira, 24 de março de 2023
bruna - a musa
este rio claro que em mim deságua
vem lá das minas do teu ser profundo
quem dera eu fora o grande ser drummundo
outro rio eu faria com teus olhos d´água
ArturGomes
www.fulinaimagens.blogspot.com
teatro do absurdo
Teatro do
Absurdo
no próximo dia seis
vou me despir de vez
rasgar os p(l)anos
no próximo dia seis
no parque desengano
plantar amoras
pedra bonita – metáforas
para os olhos de quem não vê
isa bela acha bonito
tudo aquilo que não falo
no próximo dia seis
desmontar o circo
no universo paralello
montar pirandelo
ionesco artaud Fernando arrabal
no próximo dia seis
eu me despi pro carnaval
Artur Gomes
Laboratório de Teatro
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https://fulinaimamultiprojetos.blogspot.com/
fulinaimicamente
fulinaimicamente
quixaba uma palavra estranha
assim como katchup guanabara guaxindiba
guarapari lembra-me índio capixaba
goiaba carne vermelha
teu corpo nu diante do espelho
página do livro onde te grafitei
em couro cru & carne viva
alga marinha nascida em mar de angra
a flor da pele ainda sangra
como último beijo mordido na boca
sem sinal de despedida
Artur Gomes
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o brasil já foi ilha de vera cruz
e nunca foi ilha
já foi terra de santa cruz
e nunca foi santa
hoje ninguém mais se espanta
com o volume das trapaças
no curral das merdavilhas
Artur Fulinaíma
https://ciadesafiodeteatro.blogspot.com
quinta-feira, 16 de março de 2023
Geleia Geral - Rádio Caiana
Hoje às 20h
Geleia Geral
Rádio Caiana
Gravamos ontem com Paulo André Netto Barbosa o primeiro Geleia Geral com participação especialíssima da minha querida amiga parceira Marcella Roza cantando à capela Vapor Barato (Jards Macalé/Wally Salomão).
Além de uma seleta musical com meus parceiros Paulo Celso Ciranda Reubes Pess Otávio Cabral Naiman e Luiz Ribeiro e duas faixas com poesia e som instrumental de Fil Buc fluiu ainda um breve bate papo focado na minha trajetória desses 50 anos de poesia. Esse programa de estreia vai ao Ar hoje às 20h.
sábado, 4 de março de 2023
Teatro do Absurdo
Teatro do Absurdo
O quarteto da hipotenusa
versus o quadrado do quarteto
da hipotenusa a musa do quadrado
fosse apenas o retrato na fotografia
mas não sendo hipotenusa
somente musa algaravia
uma palavra mais que estrada
sendo musa multi-via
me levou nessa jornada
para fora da Bahia
todos os santos mar aberto
no abismo a fantasia
de querer meus entretanto
muito mais que poesia
e ela vai pintando
o homem com a flor na boca
com seus pincéis de aquarela
poema que só é possível
pelas lentes dos olhos dela
na balada ou no bolero
nossas letras se entrelaçaram
pele corpo carne sangue pelos
poros entre tintas entre tantos
anos que foram pintados
sobre papéis de cartas em fogo
sob o sol chuva verão inverno
quando qualquer das estações
é primavera
e ela era uma estudante de arquitetura que pintou poemas no cachorro louco
e desenhou imagens em Brazilírica Pereira : A Traição das Metáforas
Artur Gomes
O Homem Com A Flor Na Boca
https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/
O Auto do Boi Macutraia
por onde andará
Macunaíma
tá no rabo da sereia
tá no rabo da arraia
já passou por Gargaú
tomou pinga em Bracutaia
?
não
Joilson Bessa já me disse
Kapi do céu já ensaia
Macunaíma vem dançando
na farra do boi Macutraia
levanta meu boi levanta
que é hora de viajar
acorda boi povo todo
povo e boi tem de lutar
olha o rabo do boi é boi
a barriga do boi é boi
olha o chifre do boi é boi
e o couro do boi é boi
o meu boi é valente é boi
já chifrou o tenente é boi
é um boi de mercado é boi
e também o delegado é boi
e lá vem Toninho Xita
todos vestido de rosário
vai cantar mais samba-enredo
pra enriquecer o relicário
ê meu boi brasileiro ê boi
pintadinho sem dinheiro ê boi
ê meu boi alazão ê boi
que chifrou o capetão ê boi
o meu boi é kabrunco é boi
o meu boi garrutio é boi
o meu boi lamparão ê boi
pra encantar a multidão é boi
o meu boi é jaguar é boi
mãe maria vem cantar vem boi
e meu boi sapatão ê boi
vem também pai joão vem boi
o meu boi julivete é boi
já comeu a micheque ê boi
e meu boi operário é boi
já chifrou salafrário ê boi
o meu boi é cigano é boi
o meu boi é baiano é boi
é também pernambucano é boi
tá no canto da sereia é boi
tá no rabo da arraia é boi
é um boi carnavalhado é boi
veste calça e veste saia é boi
eita boi da macutraia ê boi
o meu boi jaburu é boi
enfrentou o bangu ê boi
desfilou no ururau ê boi
e ganhou carnaval é boi
esse boi sem segredo ê boi
esse boi não tem medo ê boi
se um dia passa fome ê boi
noutro dia nós vira samba-enredo
Artur Gomes
www.arturkabrunco.blogspot.com
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023
múltiplas linguagens
Clarice sempre
me tira do centro
me entorna o eixo Artur Gomes me desentorta mostra outra
porta de
entrada pra saída nunca sei se é
chegada muito
menos despedida
Federika Lispector
https://www.facebook.com/studiofulinaima/
metáfora alquimia
cavalga cavala
com teu dorso no horizonte
ventania
pássaro de patas
pisa do vento
na metáfora/alquimia
a menina corre
pela estrada
na velocidade do fogo
com seus cabelos de plumas
felina arranha as pedras
com suas unhas de mar
nessa tarde de maio
quero vinho/poesia
Artur Gomes
www.fulinaimagens.blogspot.com
SENTENÇA
faz muito tempo que eu venho
nos currais deste comício,
dando mingau de farinha
pra mesma dor que me alinha
ao lamaçal do hospício.
e quem me cansa as canelas
é que me rouba a cadeira,
eu sou quem pula a traseira
e ainda paga a passagem,
eu sou um número ímpar
só pra sobrar na contagem.
por outro lado, em meu corpo,
há uma parte que insiste,
feito um caju que apodrece
mas a castanha resiste,
eu tenho os olhos na espreita
e os bolsos cheios de pedras,
eu sou quem não se conforma
com a sentença ou desfeita,
eu sou quem bagunça a norma,
eu sou quem morre e não deita.
Salgado Maranhão
Subversiva
A poesia
Quando chega
Não respeita nada.
Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
De qualquer de seus abismos
Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
Infringe o Código de Águas
Relincha
Como puta
Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.
E só depois
Reconsidera: beija
Nos olhos os que ganham mal
Embala no colo
Os que têm sede de felicidade
E de justiça.
E promete incendiar o país
Ferreira Gullar
quero saber
mais como os Portugueses trucidaram os índios na confederação dos Tamoios. para
isso devo seguir os passos de Anchieta e me embrenhar pelo litoral. seguir as
entranhas das florestas é o que me resta. Cristina Bezerra cuidará do virtual.
não sou casta
e sei o quanto custa
me jogar as quantas
quando vejo tantas
que não tem coragem
presas pela covardia
eu sou voragem
dentro da noite veloz
na vertigem do dia
Federika Lispector
fosse Alice essa menina
brincando à flor da pele
com a menina dos meus olhos
seria eu um mar de abrolhos
pra molhar esses dois olhos
que me olham sem me ver
Federico Baudelaire
seja pornográfico como
Carlos Drummond de Andrade
Em face dos últimos acontecimentos
Oh! sejamos pornográficos
(docemente pornográficos).
Por que seremos mais castos
Que o nosso avô português?
Oh ! sejamos navegantes,
bandeirantes e guerreiros,
sejamos tudo que quiserem,
sobretudo pornográficos.
A tarde pode ser triste
e as mulheres podem doer
como dói um soco no olho
(pornográficos, pornográficos).
Teus amigos estão sorrindo
de tua última resolução.
Pensavam que o suicídio
Fosse a última resolução.
Não compreendem, coitados
que o melhor é ser pornográfico.
Propõe isso a teu vizinho,
ao condutor do teu bonde,
a todas as criaturas
que são inúteis e existem,
propõe ao homem de óculos
e à mulher da trouxa de roupa.
Dize a todos: Meus irmãos,
não quereis ser pornográficos?
Poema Obsceno
Façam a festa
cantem e dancem
que eu faço o poema duro
o poema-murro
sujo
como a miséria brasileira
Não se detenham:
façam a festa
Bethânia Martinho
Clementina
Estação Primeira de Mangueira Salgueiro
gente de Vila Isabel e Madureira
todos
façam
a nossa festa
enquanto eu soco este pilão
este surdo
poema
que não toca no rádio
que o povo não cantará
(mas que nasce dele)
Não se prestará a análises estruturalistas
Não entrará nas antologias oficiais
Obsceno
como o salário de um trabalhador aposentado
o poema
terá o destino dos que habitam o lado escuro do
país
– e espreitam.
Ferreira Gullar
múltiplas linguagens
por toda pele
nua
onde a linguagem voraz
penetre a carne crua
e no delírio eu possa
ter-te estrela
em noite à luz
da lua
Artur Gumes
Ainda Estamos Aqui
poema a(r)mado todo os dias capino a esperança escavando outras palavras no chão desse quintal e quando escrevo com enxada ...
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