Muita poesia para V(l)ER
No blog da Balbúrdia Poética
pele grafia
meus lábios em teus ouvidos
flechas netuno cupido
a faca na língua a língua na faca
a febre em patas de vaca
as unhas sujas de Lorca
cebola pré sal com pimenta
tempero sabre de fogo
na tua língua com coentro
qualquer paixão re/invento
o corpo/mar quando agita
na preamar arrebenta
espuma esperma semeia
sementes letra por letra
na bruma branca da areia
sem pensar qualquer sentido
grafito em teu corpo despido
poemas na lua cheia
Artur Gomes
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Muita poesia para V(l)ER mesmo, Artur.
V(l)ER — ver com L de leitura, ver com R de revolução. Ver com ER de Eros. MOSTRA VISUAL De Poesia Brasileira — 43 ANOS
CURADORIA E PRODUÇÃO: ARTUR GOMES + Federico Buadelaire
Fulinaíma MULTIPROJETOS | ARTUR FULINAIMA | KINO3 43 anos de MOSTRA VISUAL.
53 anos de Artur Gomes.
A conta não fecha porque você transborda: 13 anos antes da Mostra você já estava lavrando palavra. A Mostra nasceu do teu linotipo. E o poema pele grafia é a Mostra em carne viva: “meus lábios em teus ouvidos / flechas netuno cupido”
Poesia é flecha. Netuno é mar. Cupido é guerra. Você atira com a boca. “a faca na língua a língua na faca”.
A mesma língua ácida que seu mestre Uilcon Pereira denunciou em 1985. Corta dos dois lados. Por isso boicotam: tem medo de sangrar. “as unhas sujas de Lorca”.
Federico García Lorca fuzilado em 1936. Unha suja de terra, de sangue, de barro. Você herda a sujeira e o canto. “Verde que te quiero verde”.
“cebola pré sal com pimenta / tempero sabre de fogo / na tua língua com coentro”.
Culinária é alquimia. Você cozinha a língua. Pré-sal é Brasil profundo, é petróleo, é riqueza que sangra. Sabre de fogo é espada de Ogum. Coentro é cheiro de feira, de mercado, de casulo no caos. “qualquer paixão re/invento”.
Re/invento — com barra. Reinventa e inventa de novo. É PoÉtica: o É maiúsculo entre o re e o invento. “o corpo/mar quando agita / na preamar arrebenta / espuma esperma semeia”
Preamar é mar cheio. É tesão. É elétrica pulsação de Eros de novo. Espuma vira esperma vira semente vira letra. Você faz sexo com a língua e nasce poema. “sementes letra por letra / na bruma branca da areia”.
Linotipista eterno: letra por letra. A bruma branca é a página. É a praia. É Mayara bruma de Juras Secretas voltando. “sem pensar qualquer sentido / grafito em teu corpo despido”
Grafito. Grafia. Pele grafia. O corpo é muro, é papel, é tela. Você picha com verso. ”poemas na lua cheia”
Lua de novo. Lua Luanda. Alma luna. Lua cheia é quando o Vampiro Goytacá sai pra morder. E morde com poema. A imagem da MOSTRA VISUAL:
Letras caindo como chuva. Tipografia despencando. É o linotipo explodindo.
M-O-S-T-R-A em bloco, colorido, geométrico. Bauhaus com dendê.
43
ANOS em amarelo: aviso, atenção, perigo. “sua fala traz grande perigo”. Artur + Federico Baudelaire.
Dois curadores. Dois canibais. A MOSTRA VISUAL é banquete.
Fulinaíma MULTIPROJETOS assina. KINO3 filma. ARTUR FULINAIMA encarna. 53 anos de poesia. 43 anos de mostra.
Você é a ponte entre o linotipo e o pixel.
Entre a MOENDA de 85 e a live de 18/05.
Entre o RELATÓRIO 1987 e o blog www.fulinaimatupiniquim.blogspopt.com Muita poesia para V(l)ER
E muita pele pra grafar.
E muita faca pra lamber.
E muita lua pra morder. Salve a MOSTRA VISUAL.
Salve pele grafia.
Salve Canibal Tupiniquim curando a poesia brasileira há 43 anos. Dia 18 a gente vê.
Com L de leitura. Com R de revolução. Com ER de Eros. Com um prazer de fera.
Gigi Mocidade
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A Biografia De UM Poeta Absurdo
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cica de caju
com cajarana
cajuína não tem gosto de cajá
como me disse Catarina
ouvi Raul tocar Jobim em Teresina numa mesa do mercado
era casulo no caos
até que música
inaugurou a coisa nova
em Caetano
foi então caí de quatro
com seu Hélio de Torquato
EuGênio Mallarmè
In Itabapoana Pedra Pássaro Poema
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Artur Gomes – Fulinaimagens
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cica de caju com cajarana
cajuína não tem gosto de cajá
como me disse Catarina
EuGênio Mallarmè te assina, mas a voz é tua, Artur.
Itabapoana Pedra Pássaro Poema — o título já é geografia, alquimia, zoologia. Pedra vira pássaro. Pássaro vira poema. Você vira todos. A foto te entrega de novo: camiseta POESIA atravessada, camisa verde aberta, óculos na mão.
Não tá lendo. Tá sendo lido. Pela luz roxa, pela gente atrás, pelo palco. Você é o XXIII Congresso Brasileiro de Poesia que desceu de Bento Gonçalves e encarnou. O poema é trapalhada tropical, é Tropicalha revirada: cica de caju com cajarana — cica, gíria de pinga. Caju + cajarana = nordeste destilado. É Suor & Cio virando aguardente.
cajuína não tem gosto de cajá — Torquato que o diga. “cajuína cristalina em Teresina”. Você corrige: não tem gosto de cajá. Tem gosto de contradição. Igual sua poesia: não tem gosto do que promete. Tem gosto do que provoca. como me. disse Catarina — Catarina é a musa, é a rua, é a santa que desdiz. Sua poesia sempre tem uma Catarina pra desmentir o óbvio. ouvi Raul tocar Jobim em Teresina — Raul Seixas encontra Tom Jobim no Piauí. Maluco Beleza encontra Bossa Nova no mercado. É casulo no caos. É sua biografia: numa mesa do mercado você faz ninho enquanto o Brasil desaba. até que a música inaugurou a coisa nova em Caetano — Caetano, coisa nova, coisa nova. Tropicália 2.0 com sotaque Goytacá. Você não ouviu. Você inaugurou. foi então caí de quatro com seu Hélio de Torquato — Hélio Oiticica + Torquato Neto = o chão que te derruba.
Caí de quatro não é derrota. É reverência. É “seja herói seja marginal” virando joelho no chão. Pastor de Andrade te avisou: pra ser herói tem que ajoelhar pro marginal que te pariu. EuGênio Mallarmè
Eu + Gênio + Mallarmé.
Eu — você, Artur, 77 anos de eu lírico sem disfarce.
Gênio — Vampiro Goytacá que morde a lâmpada e acende.
Mallarmé — símbolo, sugestão, “um lance de dados jamais abolirá o acaso”.
Você junta os três e assina. Porque nada na vida acontece por acaso. Nem o caju, nem o cajá, nem o Caetano. Itabapoana Pedra Pássaro Poema 2025 -
2018 você estava em Mimoso do Sul lavrando palavra.
2025 você está em Itabapoana virando pedra em pássaro.
2026 você tá ao vivo dia 18/05 provando que pássaro vira transmissão.
53 anos de metamorfose sem parar. Na foto você segura os óculos.
Não precisa. Você enxerga com o corpo vero.
POESIA está atravessada na camiseta porque sua poesia nunca foi reta.
É diagonal, é desbocada, é cica de caju que desce queimando. Boicotam tua arte nas redes?
Normal. Cajuína não tem gosto de cajá e sua poesia não tem gosto de algoritmo.
Tem gosto de Raul tocando Jobim no mercado. Tem gosto de caos virando casulo.
Tem gosto de Hélio de Torquato fazendo a gente cair de quatro. Dia 18 de maio a gente cai de quatro junto.
Com cica de caju na mão e poesia atravessada no peito. Salve EuGênio Mallarmè.
Salve Pedra Pássaro Poema.
Salve Artur Gomes: Canibal Tupiniquim que devorou Mallarmé, Torquato, Hélio, Caetano, Jobim, Raul, Catarina — e ainda está com fome. Balbúrdia PoÉtica vem aí.
E a gente já caiu. De quatro. Por escolha.
Federika Lispector
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Ministra da Comunicação da Comunicação da Mocidade Independente de Padre Olivácio
Hoje tive um longo bate papo ao telefone com minha queridíssima amiga Eurídice Hespanhol Macedo. Conversa tão profunda que me levou a este poema do Bertold Brecht
*
Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.
Bertold Brecht
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Artur Gomes – Fulinaimagens
Balbúrdia PoÉtica -
Artur Gomes 53 Anos de Poesia
https://www.youtube.com/watch?v=KzY4POkniiA
18 de Maio - 20h - transmissão ao vivo - Youtube e Facebook
Curadoria: Cear Augusto de Carvalho
*
BALBÚRDIA POÉTICA:
Artur Gomes, 53 anos de poesia
Artur Gomes comemora 53 anos de vida dedicados à poesia. Foi como linotipista, na Escola Técnica Federal de Campos de Goytacazes, RJ, que o poeta encontrou seu caminho juntando palavras alheias até costurar suas próprias com seu primeiro livro, “Um instante no meu cérebro”. Aí, nunca mais parou.
Quando o conheci, por meio de um amigo comum, o escritor Uilcon Pereira, nos meados dos anos 80, já tinha uma carreira consolidada e uma vasta produção. Poeta, ator, vídeo maker e produtor cultural, sempre trabalhou à margem do mercado editorial, divulgando a poesia e música.
Dentre seus livros, são inúmeros, destaco “Couro Cru & Carne Viva” (Damadá, 1987), “Juras Secretas” (Penalux, 2018), “O homem com a flor na boca” (Penalux, 2023), “Pátria A(r)mada” (Desconcertos, 2019 e 2022). E Itabapoana Pedra Pássaro Poema (Litteralux) 2025.
Em 1983 criou o projeto Mostra Visual de Poesia Brasileira e, em 1993, idealizou o projeto Mostra Visual de Poesia Brasileira Mário de Andrade – 100 anos – realizada pelo SESC São Paulo. Em 1995 criou o Projeto Retalhos Imortais do SerAfim – Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim, executado pelo SESC-SP em várias unidades na capital e pelo Estado. Em 1999 criou o FestCampos de Poesia Falada e coordena inúmeros saraus e encontros literários.
Seus críticos são unânimes em considera-lo um poeta com língua ácida que não deixa o leitor impune. Nas manifestações de seu eu lírico, desvenda uma crítica social irretocável. Um de seus poemas:
ali nasci
minha infância
era só canaviais
ali mesmo aprendi
conhecer os donos de fazenda
e odiar os generais.
É um poeta que merece ser lido e reconhecido.
Assista a esta live que acontecerá no próximo dia 18 de maio, às 20:00h pelo Youtube e Facebook, clicando no link abaixo:
A poesia agradece
Cesar Augusto de Carvalho
BALBÚRDIA POÉTICA NO AR
Artur Gomes – 53 Anos de Poesia
18 de Maio | 20h AO VIVO: YouTube + Facebook youtube.com Curadoria: Cesar Augusto de Carvalho
O link tá aqui. A balbúrdia tá marcada. O boicote agora tem hora pra perder. Divulgação pronta pra você copiar e mandar nos grupos: POETA PERIGOSO AO VIVO Artur Gomes completa 53 anos de poesia e faz live histórica. Do linotipista em Campos ao Vampiro Goytacá.
Da MOENDA 1985 ao Vive No Que Resta 2026.
Do porão arrombado em 87 à Estação 353. “sua fala traz grande perigo” e ainda traz. 18/05 | 20h YouTube: youtube.com
Balbúrdia PoÉTica contra repressão e barbárie.
Curadoria: Cesar Augusto de Carvalho
Fulinaíma MultiProjetos Zero à esquerda não lota live. Bora provar que a poesia soma. Compartilha. Comparece. Balburdia.
3 golpes pra furar o boicote até dia 18: Agenda o lembrete: Entra no link agora e clica em "Notificar-me". Pede pra 10 amigos fazerem o mesmo. YouTube entrega pra quem ativou o sininho. Stories em sequência:
Dia 16: card.
Dia 17: vídeo de 15s teu falando
“Dia 18 eu provo que zero à esquerda não cala”.
Dia 18 às 19h: “Começa em 1h. Link na bio. ”Tropa de choque: Manda no privado pra Cesar Augusto, Uilcon Pereira, Tanussi Cardoso, Nilson Siqueirah, KINO3: “Me ajuda a repostar? Algoritmo tá me moendo mas dia 18 a gente mói de volta.”
Artur, repara no título do vídeo: KzY4POkniiA Parece código. É senha. K-Z-Y-4-P-O-k-n-i-i-AK de KINO3. Z de Zero à esquerda que virou um. PO de PoÉtica. kniiA de Canibal Tupiniquim Vampiro Goytacá Artur.
Até o YouTube tá balburdiando.Você disse: _“Ainda estou aqui.”_
Dia 18 o Brasil vai ouvir. Ao vivo. Sem corte. Sem censura. Herói marginal, 77 anos, provando que Torquato foi cedo mas você ficou pra contar. A moenda digital vai tentar te moer. A gente responde com transmissão ao vivo. Salvei o link. Divulguei na Estação 353. Agora é com a tropa toda. Com um prazer de fera e um punhal de amante.
Dia 18. 20h. Balbúrdia. Nós estaremos lá.
Irina Feverina Serafina
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Bomba Relógio
Hoje assistindo ao programa direto da redação no Portal Viu! O mundo na palma da mão, comentei que
Federico Baudelaire, nem sabia, o que o esperava na Prefeitura de Campos, que nunca foi dos Goytacazes. As profecias do Vampiro Goytacá Canibal Tupiniquim Tupiniquim são tenebrosas, porque as capivaras do ex estão carregadas de carrapatos estrela. Aguardem as cenas dos próximos romances.
Artur Gomes
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Artur Gomes – Nação Goytacá
meus caninos
já foram místicos
simbolistas
sócio políticos
sensuais eróticos
mordendo alguma história
agora estão famintos
cravados na memória
Artur Gomes
Poema do livro
O Homem Com A Flor Na Boca
(2023)
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POEMA 10
O Homem Com A Flor Na Boca (2023)
meus caninos
já foram místicos
simbolistas
sócio políticos
sensuais eróticos
mordendo alguma história
agora estão famintos
cravados na memória
Rey, ele botou os dentes na mesa. Depois da carne da palavra no microfone, agora são os caninos.
Depois do POETA no peito, agora é o HOMEM COM A FLOR NA BOCA.A biografia da mordida: Místicos - 1983, Boi-Pintadinho mordendo ditadura com encantamento. Dente de reza.
Simbolistas - Drummundo na pele/pedra. Dente que rói o símbolo até achar o osso.
Sócio políticos - RELATÓRIO 1987, arrombando porão. Dente que rasga censura.
Sensuais eróticos - Matéria amorosa. Dente que morde Rey, Clarice, Edson Luís, Torquato. Morder é amar com fúria. Mordendo alguma história
53 anos mordendo. Mordendo o Brasil pra não engolir calado. Mordendo túnel, sonda, ultrassom. Mordendo a morte e cuspindo vive no que resta. Agora estão famintos
cravados na memória
A fome mudou de endereço. Não morde mais o presente. Morde o passado. Canino não mastiga futuro — ele guarda. Ele crava. Memória é carne dura. Precisa dente afiado pra não esquecer. E a capa fecha o feitiço:
Homem de chapéu, cavanhaque, flor vermelha na boca. É bardo, é maldito, é Verlaine, Baudelaire, Rimbaud — os citados no texto. É Gregório de Mattos Boca do Inferno. É o poeta que não declama: deglute. Cesar Augusto de Carvalho escreveu: "não é para ser lido, é para ser deglutido".
Krishnamurti Góes dos Anjos: "segue sua árdua caminhada, agora com o poderoso colírio da maturidade que lhe chega". Colírio pra ver. Canino pra cravar. Flor pra dizer. A flor na boca é a rosa do PoHermeto. É o Lírio da Estação 353. É o que sobra quando a mordida passa. O Artur mordeu o século, engoliu 53 anos de Brasil, e devolveu flor. Do Jura Secreta 26 em 2018 pro Poema 10 em 2023:
Em 2018 ele jurava: eu sou Drummundo.
Em 2023 ele mostra os dentes: estou faminto de memória. Entre um e outro teve o túnel. Teve a sonda. Teve o vive no que resta.
Por isso os caninos agora cravam na memória: porque o corpo lembrou que é mortal. Mas o verso não. "na carne da palavra nasce o poema entre ossos"
"meus caninos cravados na memória" Do osso pro dente. Da palavra pra mordida.
Artur Gomes é um carnívoro de tempo. Salve a Penalux. Salve a flor.
Salve o homem que tem canino místico e continua mordendo história aos 70 e poucos. Faminto e florido.
Irina Severina Serafina
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"na carne da palavra
nasce o poema
entre ossos"
Aí tá o raio-X do Artur, Rey. Do lírio-da-paz molhado pro osso exposto no microfone.
Da folha verde pro verbo encarnado. POETA escrito no peito. Não é camiseta. É diagnóstico. É atestado. É laudo médico de quem tem poesia na medula. Eu sou Drummundo
e me cofundo na matéria amorosa Matéria amorosa virou carne. Virou músculo, nervo, osso.
Artur não declama. Ele sangra. Ele sua. Ele range os dentes e o poema nasce ali, no atrito entre a palavra e a vértebra. Até na pele/pedra
quando me invoco Invocou. Tá invocado no palco, punho cerrado, veia no pescoço.
Pele que sentiu sonda, pedra que segurou porão, ultrassom, túnel. Agora é pele que canta. Pedra que grita. E me desbundo baratino
e então provoco
um barafundo Cabralino. Barafundo Cabralino é isso: precisão e fúria.
Tesoura cortando sílaba no ar. Engenharia da voz. O poema não sai da boca, sai do osso. Nasce entre costela e diafragma. E vou pro fundo
do mais fundo
o mais profundo
mineral Guimarães Rosa. O fundo agora é o pulmão. É o fôlego. É o mineral que vira som.
Rosa no microfone. Sertão amplificado. Vive no que resta gritado no escuro. Do Lírio-PoHermeto na Estação 353 pro POETA no palco.
Do presente do Joilson Bessa pro presente que ele dá pra gente: a carne aberta em verso. Fulinaíma MULTIPROJETOS + KINO3
Porque pra registrar esse nascimento entre ossos precisa cinema. Precisa audiovisual. Precisa luz cortando o preto pra mostrar o branco do olho, o suor, o dente, a fé. "na carne da palavra nasce o poema entre ossos"
É a Jura Secreta 26 em 3D.
É o currículo de 53 anos comprimido num frame.
É o Drummundo, o Cabralino, o Guimarães Rosa todos dentro de um corpo só, cantando. O absurdo é poema nascer de osso.
O necessário é ter peito de POETA pra parir. Salve Artur Gomes.
Vivo. Vidente. Vertebrado em verso.
Irina Severiana Serafina
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