terça-feira, 30 de dezembro de 2025

autoficção existe

Pátria A(r)mada

 

as vísceras da Re(s)pública

 expostas em mesa posta

pelas lâminas de um punhal verde/amarelo

quem será o filha da puta

 que tentará o golpe final

nesse universo paralelo?

 

  Artur Gomes

Pátria A(r )mada – 2022

Prêmio Oswald de Andrade

UBE-Rio – 2020

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                         *

Ah, esse poema de Artur Gomes é forte! Ele fala sobre a República sendo exposta de forma brutal, como se estivesse sendo "operada" por um punhal verde-amarelo, que são as cores do Brasil. A imagem é de uma crítica intensa à política ou à situação do país.

A pergunta "quem será o filha da puta que tentará o golpe final nesse universo paralelo?" sugere uma revolta contra quem tenta manipular ou dar um "golpe" nesse cenário já crítico. O tom é de indignação e ironia, típico da poesia de Artur Gomes.

Você acha que esse poema é uma crítica direta a algum momento político do Brasil, ou é mais uma reflexão sobre a situação geral do país?

E você gostaria de discutir mais sobre a forma como Artur Gomes usa a linguagem para criticar a política e a sociedade?

                           Irina Fulinaímica

https://ciadesafiodeteatro.blogspot.com/

1968

 

quem és tu

Uilcon Pereira

que foste fazer

na Sorbonne

ter aulas com Sartre

ou cantar a Simone?

 

Artur Gomes

poema do livro

BraziLírica Pereira : A Traição das Metáforas – Alpharrabio Edições - 2000

foto.poesia

Fulinaíma MultiProjetos

22 99815-1268 – zap

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A Biografia De Um Poeta Absurdo

https://fulinaimargem.blogspot.com/

                                      clemência

 

poema de sexta feira

meus  olhos ardem

nas paisagens

com tanta violência

nos olhos de quem me queira

 

Artur Gomes

foto.poesia

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A Biografia De Um Poeta Absurdo

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                                            Feliz 2026

 Jura Secreta 14

 

eu te desejo flores

lírios brancos  margaridas

 girassóis rosas vermelhas

 tudo quanto pétala

asas estrelas borboletas

alecrim bem-me-quer e alfazema

eu te desejo emblema

deste poema desvairado

com teu cheiro teu perfume

teu sabor teu suor tua doçura

e na mais santa loucura

declarar-te amor até os ossos

eu te desejo e posso :

palavrArte até a morte

enquanto a vida nos procura

 

Artur Gomes

Do livro Juras Secretas

Editora Penalux -2018

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 hoje amanheci torquato

mesmo que ela não me queira

quero o amanhã de quatro

ainda que não seja terça feira

ainda que não seja só desejo

quando essa manhã desponta

nem que seja na lança de uma ponta

nem que seja numa ponte para o beijo

quero essa manhã por todo sempre

                     a flor delírio que desejo

 

Artur Gomes

Do livro Itabapoana Pedra Pássaro Poema

https://coletivomacunaimadecultura.blogspot.com/

* 

Ah, que poema lindo, Luna! O "hoje amanheci torquato" de Artur Gomes é uma declaração de desejo e amor, mesmo que não seja correspondido. A linguagem poética é intensa e cheia de imagens, como "quero o amanhã de quatro" e "a flor delírio que desejo".

A referência a Torquato Neto, um poeta brasileiro ícone da Tropicália, traz uma vibe de contracultura e expressão livre. E a parte "nem que seja na lança de uma ponta / nem que seja numa ponte para o beijo" é uma imagem super sensual e poética.

O poema parece ser uma celebração do desejo e da busca por conexão, mesmo que seja um caminho difícil ou não correspondido.

Você acha que esse poema de Artur Gomes é uma forma de expressão da liberdade criativa e do desejo humano?

E o evento "Balbúrdia Poética" é um espaço para celebrar essa expressão poética e criativa, né?

                                         Irina Fulinaímica

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sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

viagem sagarânica

viagem sagarânica

 

era uma vez

uma estrada alada

que ia dar na barra

do itabapoana

onde o sagrado

é mais profano

feito sagarana

entretanto

do outro lado do rio

como uma cobra no cio

o estado

de espírito santo

 

Artur Gomes

foto.poesia

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arte: Nilson Siqueira

Fulinaíma MultiProjetos

fulinaima@gmail.com

22 99815-1268 – zap

@fulinaima @artur.gumes 


era uma vez um príncipe/poeta

roubou meu coração

com seus gomes e gumes

nos porões do carnaval de ouro preto

era noite 20 de  dezembro

seus olhos brilhavam mais que vagalumes

na república federal do bar da lama

e o que deveria ser comédia

virou drama

me deixou a ver navios

sem sexo sem amor passando fome

e me pergunto:

que crime é esse que cometo?

nunca mais vi o poeta

depois que ele gritou meu nome

nos Farol de São Thomé

trepado no coreto

 

Gigi Mocidade

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*

 Seu texto é uma verdadeira explosão de poesia e emoção!  Parece que você está contando uma história de amor intensa e tumultuada com um príncipe/poeta, provavelmente Artur Gomes, em Ouro Preto, com direito a carnaval, noites mágicas e um desfecho dramático.

A mistura de lugares como Ouro Preto, República Federal do Bar da Lama, e Farol de São Thomé cria uma atmosfera única e poética. A frase "me deixou a ver navios sem sexo sem amor passando fome" é uma imagem forte de abandono e saudade.

Você acha que esse texto é uma homenagem ao poeta Artur Gomes, ou é mais uma exploração da relação entre poesia, amor e perda?

P.S. Gigi Mocidade é um nome que remete a algo bem divertido e carnavalesco!  Qual é a conexão dele com a história?

Irina Amaralina Severina Serafina

*

esse desabafo é sobre uma história real. A Mocidade Independente de Padre Olivácio – A Escola de Samba Oculta no Inconsciente Coletivo, nasceu em Ouro preto, por minha causa, foi a primeira viagem que fizemos juntos. E durante 6 anos fui a Rainha da Bateria da Mocidade, e sua amante. Depois fui substituída por Rúbia Querubim que ele conheceu em Guaraparai, e daí então perdi o0 trono, a cama a sala  e a cozinha.


Gigi Mocidade

E você ainda não conseguiu falar sobre o poema SampleAndo que ele escreveu pra Federika Bezerra – A Porta/Bandeira 

*

Gigi Mocidade! Agora entendi melhor o contexto. O poema "SampleAndo" parece ser uma expressão intensa de desejo e paixão, com imagens sensoriais fortes como "beijo em tua boca", "carne de maçã em maio", "seios quentes" e "teu território devastar inteiro". A mistura de referências culturais e geográficas ("paulista", "barra funda", "lapa") cria uma atmosfera urbana e sensual.

Considerando a história que você contou sobre a Mocidade Independente de Padre Olivácio e o relacionamento com Artur Gomes, o poema parece refletir a intensidade da paixão vivida entre vocês. A menção a "me esquecer na lapa" sugere um desejo de se perder no momento, no amor.

Você sente que o poema captura bem a essência do que vocês viveram, ou é mais uma representação da visão dele sobre o relacionamento?

P.S. E o nome Federika Bezerra – A Porta Bandeira... é outro personagem da história?

Irina Amaralina Severina Serafina 

*

Federika Bezerra é a porta bandeira da MIPO Mocidade Independente de Padre Olivácio A Escola de Samba Oculta No Inconsciente Coletivo. Federika Lispector, sou eu mãe da Gigi Mocidade

*

Entendi! Então Federika Bezerra é a porta-bandeira da MIPO, e você, Federika Lispector, é mãe da Gigi Mocidade, que foi  a Rainha da Bateria e teve uma história com Artur Gomes, o poeta. É uma história bem interessante e cheia de detalhes sobre a cultura de Ouro Preto e a escola de samba!

Voltando ao poema "SampleAndo", você acha que as imagens sensuais e a linguagem poética refletem a intensidade do relacionamento de vocês, ou é mais uma expressão da criatividade e paixão do Artur Gomes?

E como você se sente em relação ao poema agora, sabendo que ele escreveu isso para você?

Irina Amaralina Severina Serafina

*

Olha, eu sou Federika Lispector - sou mãe da Gigi Mocidade - Federika Bezerra é a outra Porta Bandeira - é simples essa confusão porque somos membro da Grande Família Fulinaíma de Cultura - Integrantes da Mocidade Independente de Padre Olivácio que tem como Patrono - Pastor de Andrade - o Antropófago

*

Ahah, agora entendi a confusão! Federika Lispector, mãe da Gigi Mocidade, e Federika Bezerra, a outra Porta Bandeira da MIPO!  É uma família de artistas e apaixonados pela cultura, né?

A Grande Família Fulinaíma de Cultura e a Mocidade Independente de Padre Olivácio com Pastor de Andrade como patrono... é uma mistura de arte, cultura e paixão! 

E o collage que você postou? É uma obra de arte visual bem interessante! Os três Oswald de Andrades em estilos diferentes, o fundo vermelho com textos e símbolos... parece uma homenagem a artistas ou ícones culturais. Tem alguma conexão com a história da MIPO ou é mais uma inspiração artística?

Irina Amaralina Severina Serafina 

*

Vejamos. A Grande Família Fulinaíma de Cultura, não é uma família “muito unida” como aquela do seriado da TV Globo estrelada por Marieta Severo, Marcos Nanini e Tonico Pereira, entre tantos outros grande atores e atrizes do estrelato da TV brasileira.

Entende só mais um pouco, esse poema Sampleando, Artur Gomes,  escreveu em 1996, assim que me deixou e foi ficar com Federika Bezerra, sua grande paixão carnavalesca. O poema só foi publicado em 2018 no seu livro Juras Secretas

Gigi Mocidade

*

Entendi melhor o contexto! A Grande Família Fulinaíma de Cultura é mais uma família de artistas e criadores, né? E o poema "SampleAndo" foi escrito em 1996, quando Artur Gomes deixou você por Federika Bezerra... e só foi publicado em 2018 no livro "Juras Secretas.

O poema parece refletir a intensidade da paixão e do desejo dele na época. E você, como se sente ao ler o poema agora, sabendo do contexto? 

E a imagem da mulher na água... é uma representação de liberdade e sensualidade, né? Tem alguma conexão com a história ou é mais uma inspiração artística?

Irina Amaralina Severina Serafina 

*

O meu desabafo, é um alerta. Porque Artur Gomes é hoje um poeta glorioso celebrado em verso me prosa, cantado e falado por todos os cantos por este Brasil afora, e eu, que fui sua musa por 6 anos, hoje como e bebo de que fontes? Enquanto esteve comigo, fazia amor, fazia sexo, com  paixão violenta, pelo menos foi o que sempre me demonstrou. E depois, hoje? O que sou para ele?

 

Gigi Mocidade

*

Jura Secreta 50

                  entri / dentes

 

queimando em Mar de Fogo me Registro

lá no fundo do teu íntimo

bem no branco do meu nervo

brota uma onde de sal e líquido

procurando a porta do teu cais

 

teu nome já estava cravado nos meus dentes

desde quando Sísifo olhava no espelho

primeiro como Mar de Fogo

registro vivo das primeiras Eras

 

segundo como Flor de Lótus

cravado na pele da flor primavera

logo depois gravidez e parto

permitindo o Logus

quando o amor quisera

 

Artur Gomes

Juras Secretas

Preparando 2ª Edição

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Irina Amaralina Severina Serafina Serafim

Neste Natal

Eu lhe desejo O silêncio

A música mais antiga do mundo

 

Tudo o que sei sobre horizonte

aprendi com o mar.

Sobre mistério,

foi o mar que me contou

com sua voz grave e rouca.

Sei sobre o tempo

observando o respirar das ondas.

Sobre profundidades

aprendi salgando os meus olhos.

Entendi por dentro.

Imersa, misturada

e sem pé.

 

Kalu Coelho

In O silêncio é a música mais antiga do mundo – Patuá- 2025

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*

Que imagem serena e poética!  O homem lendo o livro parece estar em um momento de profunda conexão com as palavras, imerso em um silêncio contemplativo.

E o poema de Kalu Coelho é incrível!  "O silêncio / A música mais antiga do mundo" é uma imagem poderosa que conecta o silêncio à essência da existência. A forma como o mar é usado como metáfora para aprender sobre horizonte, mistério, tempo e profundidades é simplesmente linda.

"O mar que me contou com sua voz grave e rouca" é uma personificação que dá uma dimensão quase mítica ao texto. E "salgando os meus olhos" é uma imagem visceral que transmite a intensidade da experiência.

Você acha que o poema de Kalu Coelho é uma reflexão sobre a busca por sabedoria e conexão com o mundo, ou é mais uma celebração da beleza do silêncio e da natureza?

 

Federika Lispector

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meus olhos ardem

quando vejo letras

embaralhadas

no tabuleiro do destino

pressinto coisas

que nem mesmo eu

saberia  definir

os seus significados

 

Irina Severina

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Cântico Negro – José Régio

 

Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse

Quando me dizem: "vem por aqui!"

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:

Criar desumanidades!

Não acompanhar ninguém.

— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde

Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde

Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi

Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós

Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?...

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátria, tendes tetos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...

Eu tenho a minha Loucura !

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou,

É uma onda que se alevantou,

É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou

Sei que não vou por aí!

 

clique no link para ouvir o poema na imortal interpretação de Paulo Gracindo

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Artur Gomes - FULINAIMAGENS

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*

Que poema incrível!  O "Cântico Negro" de José Régio é um manifesto de independência e liberdade, uma declaração de que o poeta não se deixa levar pelas convenções e expectativas dos outros. A interpretação de Paulo Gracindo é simplesmente magistral, trazendo à vida as palavras do poema com uma intensidade e paixão que é impossível de resistir.

A forma como o poema rejeita as expectativas e as definições é muito poderosa, é como se o poeta estivesse dizendo "não me digam o que eu devo ser ou fazer, eu sou o meu próprio caminho". E a imagem da loucura como um facho que arde na noite escura é simplesmente genial, é como se o poeta estivesse dizendo que a verdadeira liberdade é seguir a sua própria loucura, não importa o que os outros pensem.

E o final, "Não sei por onde vou, Não sei para onde vou Sei que não vou por aí!", é um verdadeiro grito de liberdade, é como se o poeta estivesse dizendo que o caminho é incerto, mas que ele está pronto para seguir em frente, sem medo e sem hesitação.

Obrigado por compartilhar esse poema e a interpretação de Paulo Gracindo! É um verdadeiro tesouro.

E você, o que sente ao ler esse poema? Qual é o seu sentimento em relação à mensagem do "Cântico Negro"?

Irina Amaralina Severina Serafina 


Poesia é a escuta do silêncio Drummundo

 

Depois de muito ler reler o livro O silêncio é a música mais antiga do mundo, da minha querida Kalu Coelho, depois de ouvir a fala de Sylvia Paes, fazendo a sua fala sobre Kalu, depois da minha fala com a leitura de alguns poemas  do livro, e depois de ouví-la. Falamdo sobre: silêncio, escuta, afeto, memória e ancestralidade,  meio veio estar frase/verso: Poesia É Escutar o Silêncio Drummundo, e a metáfora não é por acaso.

Como não poderia deixar de ser a noite foi de pura emoção contagiando todos os seu familiares presentes: Ana Coêlho, Tania Terra,(e não tive como deixar de pensar em Clarice Terra, e todos integrantes da família ali presentes, sabem  o porque ),  Frederico Escocard, e seu filho, Levy Quaresma, José Luis Da Cruz Vianna, Nilson Siqueira,(amigo e hoje meu produtor fotográfico e audiovisual),  Andréa Brandão(amiga mineira de Itabira, que conheci em 1987 na cidade de Batatais-SP).

Portando todos amigos de longas datas, e todos de algumas forma parte da minha caminhada. Não tinha como naquele momento deixar de pensar em Hélio de Freitas Coêlho(o pai), e Edgar Coêlho dos Santos(avô), Duas pessoas, de significado ímpar na minha trajetória no atravessamento na cidade de Campos dos Goytacazes-RJ, com  a produção poética.

E imediatamente na primeira palavra que iniciei a minha fala, me veio uma caudalosa correnteza emocional como se as águas de minha mãe Oxum, invadisse o espaço da Academia Campista de Letras, para continuar, tive que pausar, escutar o silêncio, segurar o baque e conter as lágrimas, por uma questão de ancestralidade.

Não preciso dizer que desde a primeira leitura dos poemas do livro, antes mesmo dele ser lançado, quando Kalu me enviou para apreciação, foi paixão à primeira vista, pois alguns poemas me remexem corpo e alma, pois tocam em questão para mim fundamentais, não apenas pela poesia, em si e o seu processo de criação, mas pela vida como um todo e seus milhões de significados.

Eis um desses poemas:

 

Ancestralidade

Quando eu nasci

minha filha já me sonhava

no sono de minha mãe.

Ela nasceu da neta de minha avó.

Ela me continua

Todo dia.

de onde eu vim

as coisas não tem começo

e nem fim.

Eu nunca fui só

e antes de morrer

preciso parir minha bisavó.

 

Kalu Coelho

O silêncio é a música mais antiga do mundo

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Artur Gomes FULINAIMAGENS

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fotos: Nilson Siqueira

 

Irina  

mulher de Amaralina

 mexe tudo dentro de mim

  muito mais que Severina

muito mais que Cabralina

muito mais que Severina

muito mais que Serafina

muito mais que que SerAfim.

 

                               EuGênio Mallarmè

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*

Que descrição incrível, Rúbia Querubim! A forma como  EuGênio Mallarmè  descreve Irina é uma verdadeira explosão de palavras e sentimentos. A repetição de "muito mais que" é uma figura de linguagem poderosa que destaca a intensidade da paixão e do fascínio que ele sente por Irina.

 

A escolha dos nomes Severina, Cabralina Serafina e SerAfim também é interessante. Parece que ele está criando uma espécie de jogo de palavras, brincando com a sonoridade e a estrutura dos nomes para criar um efeito poético. E a forma como ele os compara a Irina, dizendo que ela é "muito mais que" qualquer um deles, é uma maneira de destacar a sua singularidade e a sua capacidade de mexer com os sentimentos dele.

A descrição de Irina como uma mulher de Amaralina também é interessante. Amaralina é um bairro de Salvador, Bahia, conhecido por sua beleza e sua energia. A escolha desse nome pode ser uma forma de Artur Gomes evocar uma imagem de beleza e sensualidade, e de associar Irina a essa energia e essa paixão.

Você acha que a descrição de Irina é uma forma de EuGênio Mallarmè expressar a sua própria vulnerabilidade e sensibilidade como poeta?

 

Federika Lispector

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