terça-feira, 9 de agosto de 2022

Sagaranagens Fulinaímicas 2

 

Sagaranagens Fulinaímicas 2

 

Itabapoana pedra pássaro

não é mais a pedra que corre na água do rio

como borboleta já fez sua metamorfose

e ocupa outro espaço no futuro

 

não sei se Bom Jesus nem sei se São Francisco

me arrisco dizer que

grande é o serTão veredas

na terceira margem do rio

quando pesco um peixe sagarânico

que não vale nada nesse mercado de consumo

 

concreto é o abstrato da metáfora

que o professor de Market

nos deu ontem na primeira aula

para que que tentássemos decifrar

nossos caminhos

na nuvem de fumaça que disfarça

a tempestade em nossos dias ?

 

Artur Gomes – 09/08/2022

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sagaraNAgens fulinaímicas

 

guima

meu mestre

guima

em mil perdões eu vos peço

por esta obra encarnada

na carne cabra da peste

da Hygia Ferreira bem casta

aqui nas bandas do leste

a fome de carne é madrasta

 

ave palavra profana

cabala que vos fazia

veredas em mais Sagaranas

a Morte em Vidas/Severinas

tal qual antropofagia

teu grande Sertão vou cumer

 

nem João Cabral Severino

nem Virgulino de matraca

nem meu padrinho de pia

me ensinou usar faca

ou da palavra o fazer

 

a ferramenta que afino

roubei do mestre Drummundo

que o diabo GiraMundo

é o Narciso do meu Ser

 

Artur Gomes

do livro Juras Secretas

Editora Penalux – 2018

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todo dia que não amanhece

anoitece

quem nunca leu sagaranagens

não pode dizer que me conhece 


 

Fulinaíma MultiProjetos

fulinaima@gmail.com

22 99815-1268 – whatsap

www.centrodeartefulinaima.blogspot.com

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Coletânea Poetas Vivos

 


AGOSTO À CONTRAGOSTO

 

O tempo desenha na face

O alto custo de um imposto

Pois lento nos dá outro susto

Chegamos a outro agosto

 

Posto que o destino é vasto

E visto o que está posto

Este viver tão sucinto

Nesta sina a contragosto

 

Dias semanas e meses

Somam em si um desgosto

No raso espaço do espelho

Os anos esculpem seu rosto

 

[ tchello d’barros ]


Agosto

Que agosto prepare
os ventos da mudança
e faça a semeadura
de grãos, árvores, paz,
Prepare e revire a terra
para o amor.
Que seus ventos afastem
todo o mal, o ódio, a morte
provocada.
Que agosto seja o voo
para a chegada
de um horizonte limpo
e desejado,
grávido de luz.

Roseana Murray 



O ofício do Escritor

é o de retirar,

de uma inconsistência

de vento,

um corpo

de letra.

Vês?

Já é alguém

(um personagem)

que abre a porta

e entra

para o chá.

Outros seres

- ainda inominados,

inquietos

e solenes -

aguardam,

na mesma sala branca,

por um mínimo sopro.

 

Maria Helena Latini, poema Ofício, livro Múltiplo Um, Ed. LiteraCidade. (Porque hoje é o Dia do Escritor).



Fazer do poema um lugar de habitar,

onde seja possível abrigo e silêncio

para que palavras inquietas

fiquem marcadas

- lacres vermelhos

tatuados na alma -.

 

(nic cardeal)


sempre antes do que tarde

dez vidas eu tivesse

cem vidas eu daria

por um sopro de beleza

pelo deus da poesia

 

Hamilton Faria





não nos desesperemos
o desespero aumenta
a força dos opressores

esgarcemos o riso
até pensarem que ficamos loucos
até pensarem que plantamos esperança
na curva de um rio sem volta

brindemos a manhã
após a longa escuridão
vamos tecer palavras de ânimo
no dicionário das mentiras bem lavadas

vamos cavalgar estrelas
por caminhos espinhosos
e cultivar o hábito
de espalhar amor em qualquer espaço

pode parecer surreal
até mesmo fora da casinha
mas eles não entendem
de sentimentos nobres

os opressores se travestem de mito
se alimentam de ódio
pousam no pódio
da vida medíocre

mal sabem eles
que a hora está chegando
que a despeito de tudo
ressurgirá a aurora

 

Dinovaldo Gilioli




 ela me deu um beijo

à portuguesa

e foi comer pastel de vento

nos altos da vista chinesa

 

Federico Baudelaire

https://fulinaimagemfreudelerico.blogspot.com/



 

Deus não joga dados

mas a gente lança

sem nem mesmo saber

se alcança

o número que se quer

 

mas como me disse mallarmè

:

- vida não é lance de dedos

A vida e lança de dardos

Deus não arde no fogo

                   mas eu ardo

 

Artur Gomes

www.fulinaimgaens.blogspot.com


do livro Pátria A(r) mada

lançamento da segunda edição

em setembro -  


Fulinaíma MultiProjetos

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segunda-feira, 18 de julho de 2022

Jura Secreta 16

 



Jura Secreta 16

                                         para May Pasquetti

 

fosse esta menina Monalisa

ou se não fosse apenas brisa

diante da menina dos meus olhos

com esse mar azul nos olhos teus

 

não sei se MichelÂngelo

Da Vinci Dalí ou Portinari

te anteviram

no instante maior da criação

 

pintura de um arquiteto grego

quem sabe até filha de Zeus

e eu Narciso amante dos espelhos

procuro um espelho em minha face

para ver se os teus olhos

já estão dentro dos meus


 Jura secreta 17 


meu objeto concreto 
é um poema abstrato 

impressionista realista 
quem sabe neo concretista 
poderoso artefato 

uma bomba de Hiroshima 
uma rosa parafina 
ou quem sabe uma menina 
que conheci só no retrato 

 

 Jura secreta 18

 

te beijo vestida de nua
somente a lua te espelha
nesta lagoa vermelha
porto alegre caís do porto
barcos navios no teu corpo

os peixes brincam no teu cio
nus teus seios minhas mãos
as rendas finas  que vestias
sobre os teus pêlos ficção

 

todos os laços dos tecidos
aquela cor do teu vestido
a pura pele agora é roupa
o sabor da tua língua
o batom da tua boca
tudo antes só promessa
agora hóstia entre os meus dentes

 

e para espanto dos decentes
te levo ao ato consagrado
se te despir for só pecado
é só pecar que me interessa

 

Artur Gomes

Juras Secretas

Editora Penalux – 2018

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Fonética das cores

3 dentadas no pão e a faca suja de manteiga

entreguei-me ao desejo de olhar o corpo do poema nu ainda virgem deitado sobre a grama no quintal do casario no cafezal rolava um blues vestido de algodão branca flor entre as sílabas tônicas e a fonética das cores entre o vão das coxas brancas de alfazema sopravam ventos de alecrim

Artur Gomes

O Poeta Enquanto  Coisa

Editora Penalux - 2020


 

SINOPSE:  A poesia de Artur flui feito pluma ao vento, “a lavra da palavra quero seja pele pluma onde Mayara bruma já me diz espero, saliva na palavra espuma onde tua lavra é uma elétrica pulsação de Eros”. No entanto, a despeito da leva da linguagem que segue o ritmo interno da inspiração do poeta, camufla em partes, em outras escancara, o caráter ardente da poesia que chama por Eros.  Repleta de paixão e de fogo, as imagens de amantes, as analogias do sexo desprendem deste clamor contido no peito de Artur, mas que, pelo fazer das letras desenvolve-se na liberação dos desejos mais sensuais, “essa ostra no mar das tuas pernas”, ou mesmo quando o poeta compara a procura pela  palavra com o escavar libidinoso que os amantes fazem um pelo corpo do outro, “tudo o que quero conhecer a pele do teu nome / a segunda pele o sobrenome / no que posso no que quero”. Embora, por ser poesia, as palavras sejam como “flor”, esta metáfora, esta alegoria bela e perfumada exala da queimada ardente da linguagem, feito mulher prenhe de libido, “a pele em flor a flor da pele / a palavra dândi em corpo nua / a língua em fogo a língua crua / a língua nova a língua lua”. Esta poesia tão luxuriosa incendeia o solo urbano, tanto quanto a natureza, falando da monotonia urbana de São Paulo, que alucina a sobriedade do poeta com sua beleza cruel, cidade no qual o “matadouro” é a arte concreta. Mas feito pluma ao vento a poesia de Artur enxerga o fogo da paixão, da convicção voando também para longe da violência e tribulação urbana, pairando sobre a mágica enamorada das praias, do vento, das sombras, da natureza, local onde residem os aspectos matrimoniais da união homem-mulher, “qualquer que seja a hora em que se beijam num pontal em comunhão total com a natureza”. As juras do poeta ardente profanam o sagrado, quando em sua retórica e discurso extrapolam a rigidez das formas, mas, em ousadia apelam para as rezas e para o caráter inviolável das promessas com uma “violência antropofágica erótica”.

 

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domingo, 17 de julho de 2022

Coletânea Poetas Vivos

Nojo

 

eis a palavra

no meu poema linha reta

mesmo que a esquina seja torta

a estrada seja curva

a noite seja  treva

a lua seja secreta

a madrugada seja turva

e o sol não seja poeta

 

Artur Gomes

por onde andará Macunaíma companheiro será que sem a mãe das artes manhas conseguirá se salvar esse povo brasileiro?

https://coletivomacunaimadecultura.blogspot.com/

 


 que coincidência é o   amor

 

olhando as múltiplas  sombras

de artur gomes na parede

um candelabro de sedas

palavras por trás da boca

voo de passarinho

asas de beija flor

atiçam-me rajadas de fome

salivas do meu amor

vinho aumenta minha sede

água mata o meu torpor

Macunaíma um coletivo

passa ao largo da janela

eu na outra aqui sozinha

porque não sou eu Florbela

 

Lady Gumes

 por onde andará Macunaíma

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                                                         nesse estado

 em que me encontro

presa ao teu olhar

nem que seja um  segundo

vem me faz voar

 

Gigi Mocidade

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Memorália Um

para Laurentino Gomes e Francisco Magalhães

 

A chibata nos sujou de maldições.

Desde as caravelas; desde

a rota dos tubarões (onde

excretou-se o vil

ao sangue).

 

Toda partilha está contaminada.

(Nossa alma cheira o mal do mar.

 

Precisamos lavar nosso atlântico.

 

Salgado Maranhão




Geleia Geral – Revirando A Tropicália

Semana de 22 – 100 Anos Depois

Segunda Edição

Dia 22 julho - 2022 – 19h

Santa Paciência – Casa Criativa

Rua Barão de Miracema, 81 – Campos dos Goytacazes-RJ

- Geleia Geral Performance - Alunos da Oficina de Teatro Adulto do Estúdio Gente é pra Brilhar e não pra Morrer de Fome.

Direção: Frenando Rossi e Rodri Mendes

Confira toda programação no blog

https://ciadesafiodeteatro.blogspot.com/

  · 



Mostra Cine Vídeo – Curtas

Cinema Ambiental – segue agora permanente

Local: https://www.facebook.com/cinevideocurtas

Projeto Arte Cultura Oficinas

Curadoria: Artur Gomes

Design gráfico: Tchello d´Barros

Realização: Fulinaíma MultiProjetos

fulinaima@gmail.com

(22) 99815-1268 – whatspp

 

BOITATÁ

Para o Jose Couto

 

fogo que mora nas águas do rio —

fogo que já foi menino

e dança nas águas do rio

fogo que dança

na lama do mangue

e mora nas águas do rio

fogo que dança

no fundos do mato

e mora nas águas do rio

ele é a cobra-menino

come-olhos-do-mundéu

protege dona cotia

dona anta, seu mutum

dona paca, seu teju

protege dona onça

seu tatu, seu jaós, seu uru

cuida de todos os bichos

todos os bichos, todos

os bichos da mata

não atice a íris-fogaréu

tição-azul-da-luz-do-lume

não irrite os escuros

do relvado, seu branco

ou ele comerá teu olho

aquele que é fogo-serpente

come-olhos-do-mundéu

osso-branco-escarra-tripa-

olho-brenha-escarcéu.

passarinho estava aqui?

passarinho caiu no chão

e virou pedra.

 

Claudio Daniel

 

(Poema de meu livro Cantigas do Luaréu, que pode ser adquirido no site da editora Arribaçã, http://www.arribacaeditora.com.br/


Lamento

 meu pai sorriu

à sombra da goiabeira

 nada de rugas na face

 apenas a névoa

de um tempo escondido pela sombra das horas.

 (poema de Linaldo Guedes do livro “Os zumbis também escutam blues e outros poemas”, 1998)

 

CORPUS


A roupa da alma rasgando-se em constantes mudanças
na ruptura vou desaguando aos poucos,
gota a gota, sopro a sopro
- alma de mim em cascatas
ao alcance do grande mar no sem fim -

[por qual razão habitamos a nascente borbulhante
se, depois do fim,
seremos única imensidão
na - monótona - etern[a]idade?]

Nic Cardeal
16.07.2022


dueto


o vento zomba da carne
espanca a pele e a anca
rasga à navalha a pelanca
o vento zumbe na cara
e esbraveja no ouvido
esfarrapa à farpa a entranha
vento e ventre a grunhir
vazando a víscera vazia
a fome e a noite fria


um uivo

ah, essa coisa de fazer poesia
e trazer tantos lobos para fora do covil
e lobas, todas no cio,
e tantos e tantos vazios
ah, essa coisa vã que é fazer poesia
e que não fala, uiva
e chora e sangra
estrangeira e nativa
numa ilha igual a todas as outras ilhas…
ah, essa coisa inútil que é fazer poesia
e ser um desnudamento tão íntimo
que de tão íntimo desnudamento
é igual em todos os falantes
ah, coisa inevitável
que é fazer poesia


as Mulheres e suas Crianças

desbravando o estreito do tempo
Elas ficam prenhes
não só de filhos
não só de amores
prenhes de sonhos
e de perpetuação
na barriga nascem cidades
as leis e seus reis
não há outro meio à força motriz
da barriga nasce a história
nasce toda a gente
nasce um país
o futuro é umbilical
seio e noite insone
em ladeiras pedregosas
caminham as Mulheres
suas Crianças a tiracolo
por ladeiras pedregosas
fogem dos algozes
as Mulheres e suas Crianças

Carolina Rieger nasceu em São Paulo, capital, e mora em Osasco. Formada em Filosofia pela USP, mestra e doutoranda em História da Educação pela PUC-SP. Publicou Irmãos Koch, think tank, coletivos juvenis — a atuação da rede libertariana sobre a educação (Edições 70, Editora Almedina, 2021). Publicou poemas e contos em coletâneas, fanzines e revistas. Seu primeiro solo de poemas é Carnaval (Editora Patuá, 2017), que lhe rendeu uma colocação entre os 10 finalistas do Prêmio Guarulhos de Literatura 2018. Em 2019, ficou em 3º lugar no mesmo prêmio. Está com seu próximo livro, De temer a morte, pela Caravana Editorial, no prelo. Estes três poemas são dele.

Fonte: https://revistagueto.com/2021/08/30/tres-poemas-de-carolina-rieger/


Fulinaíma MultiProjetos

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Nação Goytacá

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Balbúrdia PoÉtica - 14 de outubro

Balbúrdia PoÉtica -  Por Ética Dia 14 outubro das 18 às 22h Com lançamento do livro: Drummundana Itabirana Por Onde Andará Macunaíma? de Art...