domingo, 2 de outubro de 2022

Mostra Visual de Poesia Brasileira - Poesia Em Movimento

 







ou tudo será posto de lado
e na procura da vida
a morte virá na frente
e abrirá caminhos.

É preciso que haja algum respeito,
ao menos um esboço
ou a dignidade humana se afirmará
a machadadas.

Torquato Neto




AntiLírica

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quixaba uma palavra estranha
assim como katchup guanabara guaxindiba
guarapari lembra-me índio capixaba
goiaba carne vermelha
teu corpo nu diante do espelho
página do livro onde te grafitei
em couro cru & carne viva
alga marinha nascida em mar de angra
a flor da pele ainda sangra
como último beijo mordido na boca
sem sinal de despedida

Artur Gomes


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                            Augusto de Campos 



Desse Fruto

 

Tem gente por ai vivendo que nem bicho

Fuçando comida na lata do lixo

Tem gente por ai vivendo que nem bicho

Fuçando comida na lata do lixo

 

Irmã gêmea da loucura

Dos gritos na noite escura

É gente dormindo debaixo do viaduto

E comendo a parte mais podre do fruto

 

É gente que nem parece que é gente

Mas que a gente sabe que é gente

É gente que nem parece que é gente

Mas que a gente sabe que é gente

 

Também tem gente por ai vivendo que nem gente

Guardando o seu ouro a unha e dente

Também tem gente por ai vivendo que nem gente

Guardando o seu ouro a unha e dente

Trancando as portas sem saber que na rua

Sangra exposta a ferida sua

 

É gente engordando por cima do fruto

E atirando a parte mais podre no lixo

No lixo

 

É gente que até parece que é gente

Mas que a gente sabe que é bicho

É gente que até parece que é gente

Mas que a gente sabe que é bicho

 

Akira Yamasaki - Edvaldo Santana - Osnofa

 


s'imbora

 

hora o tempo me sopra

hora que me devora

então a criança chora

não sabe onde mora

nem sabe se fica

se vai embora

se vive dentro

se fora

sabe

que cresce

tece

e

entardece

como quem veste

de luz

a extrema

hora

 

Hamilton Faria

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descaminhos
para Rúbia Querubim

quando te procuro
e não encontro
ando tanto tanto tanto
chego a gastar os tutanos
nos descaminhos
desse enredo

mas por enquanto
vou te amar assim
em segredo

Artur Fulinaíma

por onde andará macunaíma? 

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Pedra Dourada

em pedra dourada
conheci 8 minas
uma me deixou de quatro
fez de mim gato e sapato
não fosse eu camaleão
quase lagarto
cairia na cilada

agora não se fala mais
agora não se fala nada

Federico Baudelaire

www.porradalirica.blogspot.com

 




O poeta é um fingidor

chove aqui dentro
mais do que lá fora
eu tenho pressa
de olhar teus olhos
nesse mar de angra
o pau brasil sangra

enquanto isso
ela passeia no egito
entre templos sagrados
dessas múmias quânticas

me perdoa
o poeta é um fingidor
mas eu não sou Fernando Pessoa

Artur Gomes
por onde andará Macunaíma?
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estou sentindo calafrios

pensando água ardente

de dia é muito frio

mas a noite vai ser quente

 

Federico Baudelaire

 

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hoje

nesse tempo frio

me perdi de vista

bem na beira mar

quase beira rio

 

Federika Lispector

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coisa de índio
Afrodite-se-Quiser

para Marisa Vieira e Mano Melo

estava caminhando pelo Rio
exatamente na Visconde de Pira-já
na esquina de  Ipanema

batidas no coração
quando avistei Helena
que não era do Rio
deve ter sido assombração
que veio em algum poema

Pastor de Andrade
in - Igreja Universal do Reino de Zeus

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vamos que vamos
nesse trem pernambucanas

em terras sorocabanas
revirando a barra das saias
das pedras das águas   itabapoanas

 

Rúbia Querubim

www.fulinaimatupiniquim.blogspot.com



boca do inferno

por mais que te amar

seja uma zorra
eu te confesso amor pagão
não tem de ter perdão pra nós
eu quero mais é teu pudor de dama
despetalando em meus lençóis



no lombo de um  macutraia

ou no rabo de uma arraia

viaje de norte a sul

pra  visitar  em Gargaú

a Biblioteca Bracutaia

 

Eugênio Mallarmè

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Jura secreta 10

fosse o que eu quisesse
apenas um beijo roubado em tua boca
dentro do poema nada cabe
nem o que sei nem o que não se sabe

e o que não soubesse
do que foi escrito
está cravado em nós
como cicatriz no corte
entre uma palavra e outra
do que não dissesse

Artur Gomes
Juras Secretas
Editora Penalux - 2018



PoÉticas Arturianas

 o vento bate aqui toda semana

vento do sul e do norte

vento forte - voa meu barco

me leva até Copacabana

 

Gigi Mocidade

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cacomanga 2

ali nasci
minha infância
era só canaviais
ali mesmo aprendi
conhecer os donos de fazenda
e odiar os generais.


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Dani-se morreale

se ela me pisar nos calos
me cumer o fígado
me botar de quatro
assim como cavalo
galopar meus pelos
devorar as vértebras
Dani-se

se ela me vier de unhas
me lascar os dentes
até sangrar o sexo
me enfiar a faca
apunhalar meus olhos
perfurar meus dedos
Dani-se

se o amor for bruto
até mesmo sádico
neste instante lírico
se comédia ou trágico
quero estar no ato
e Dani-se o fato
deste sangue quente
em tua boca dos infernos
deixa queimar os ossos
e explodir os nossos
poemas físicos pós modernos

Artur Gomes
O Poeta Enquanto Coisa
Editora Penalux – 2020
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PoÉticas Fulinaímicas

 

a foto.grafia é quase a mesma

mas não é arturiana

essa é fulinaímica

na geografia sagarana

eu não sou ator de mímica

nem cantor de amazona

 

a minha cara é muito cínica

sou um poeta bem sacana

 

Artur Gomes Gumes

https://suorecio.blogspot.com/




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segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Geleia Geral - Revirando A Tropicália

 






Geleia Geral - Revirando A Tropicália

 

Dia 30 setembro - 19h

Santa Paciência - Casa Criativa - Rua Barão de Miracema, 81 - Campos ex-dos Goytacazes-RJ

 

Abertura – Artur Gomes - lançamento do livro Pátria A(r)mada – 2ª edição revista e ampliada – Desconcertos Editora – 2022

 

CONVERGÊNCIAS – A Poesia Visual de Tchello d´Barros



Fome: vídeo com fragmento da terceira edição: poesia: Artur Gomes - produção e edição do vídeo: Letícia Rocha

https://www.youtube.com/watch?v=CaLb1zS86zg

 

Fulinaíma Magnética – Marcella Roza + Marcelo da Rosa + Melissa Mell + Serginho do Cavaco

 

Roda de Conversa – por onde andará Macunaíma? Com Genilson Paes Soares + Mário Sérgio Cardoso + Teresa Peixoto de Faria

 

Roda de Poesia – com Adriano Moura + Aimeè Cisneiro + Christina Cruz + Joilson Bessa + Winston Churchill Rangel

 

Performance – Geni e o Zepelin e Cálice – homenagem a Chico Buarque – com o músico Pablo Vinícius e o ator Mario Guerra – preparação de ator Rodri Mendes – encenação: Fernando Rossi



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domingo, 25 de setembro de 2022

CONVERGÊNCIAS - A Poesia Visual de Tchello d`Barros

 










ODE À PINDORAMA
Manifesto de 2022 | Tchello d’Barros

 


I - BRASILIANÍSSIMAS

Minha terra é brasilíada, brasidílica, brasilinda! Minha terra tem mais que palmeiras, é Pindoramagia! A descoberta desse Brasil é diária. A conquista, também. Aqui tem pau-brasil, pau brasino de brasido e brazedo: brasilivre de orlas paradisíacas, areias que guardam pegadas de curipiras e matas que são moradas de mapinguarís. Aqui tudo que se planta dá e recebe, a dar com o pau. É lugar de flora melíflua, flores ebúrneas, pétalas ebóreas, inflorescências arborescentes.  Olores de eflúvios oníricos e semeadura de revolução que germina em conquistas do povo, da pólis, de todos. A esperança está na brisa, em flagrante fragrância que poliniza, poesia que prolifera, verve que poliflora. Bem-vindos a esta nação de ritos: de Torés transcendentes, de Cruzes redentoras, de Terreiros libertários.

 

II - ENTRE PASÁRGADA E ILHA DE UTOPIA

Uma criança desenha a palavra amor na areia da praia de Itamaracá. As sombras das casas nos povoados e vilas de nosso Brasil profundo, crescem no poente, formando palavras como: recanto, idílio e paraíso. Óbidos, Blumenau e Olinda. É nesse costado que o Sol nascente encontra primeiro a América menos americana das Américas. Essa terra tem dono sim senhor: há tem perímetros e pontos cardeais, mas as fronteiras são de abraços, brindes e sorrisos. Brasilíada, daqui e de lá: do Arroio do Chuí, no Sul, ao Monte Caburaí no Norte; da Nascente do Rio Moa, no Oeste, à Ponta do Seixas, no Nordeste. Aqui a bússola da liberdade se desenha no ir e vir da rosa dos ventos elíseos.  Territórios de florestas e floreiras, matas e clareiras, ilhas de praia, areia e onda: tem surf na pororoca e mergulho no Pantanal. Escalada no Monte Roraima e neve em Brunópolis. Desde navegações pelo Rio Madeira a jornadas pelos Caminhos do Peaberú.  Nossos rios são ruas de ontens e amanhãs: fluem no dia de hoje em nossa parcela planetária. Os afluentes do Rio Amazonas tingem o sangue debaixo da derme. O cume do Monte Roraima tange a tessitura de nossa pela. Os cimos da Serra do Rio do Rastro plasmam nosso corpo que dança e luta.  Essa terra evoca batalhas por independências, conquistada com braço forte e justiça social como norte. Seguem velozes os voos das flechas de Tiaraju, Cunhambebe e Arariboia. Nosso ir e vir é tal, que chega a ser continental. Trem, nem sempre tem, mas sempre tem quem te quer bem!

 

III - MINHA CASA É SEU MUNDO E MINHA GENTE É SEU POVO

Terra Papagalli: Somos de Pindorama. Abya Yala é aqui também. Dos ancestrais aos originários, dos que vieram antes de outros quadrantes, depois de tudo, somos brasilianos de terra nova em novo mundo.  Uma icamiaba virgem, esculpe em jade, um novo Muiraquitã. Nossa esperança vibra à flor do pelo, e nossa pele é tanta, de tinta retinta, preta, parda, morena, indígena, branca, de todos os tons: nossa mescla tem matizes e matrizes misturadas na paleta da vida. A genética plural que nos modela, cromossômica e helicoidal, constrói em uníssono um vocábulo rizomático: equidade na alteridade e diversidade na democracia.  Na orla de Coruripe, o caiçara e o gringo singram na mesma jangada. Em Floripa, o nativo e o universal bebem juntos a cachacinha de alambique em cumbuca de argila. No Cerrado, o mestiço e o cosmopolita lançam a mesma rede no Lago Paranoá.  Nossa lei se chama Paz. Nossa bandeira se chama Amor. Nosso hino é alento e acalanto. Nosso corpo tem cicatrizes mas nossa alma é de festa. Por aqui, somo um povo manso: tacape na opressão, borduna no autoritarismo e zarabatana no fascismo. Em nosso lugar de fala, de reza e de vida, fazemos contas com miçangas e terabytes: Eu + tu = nós.  Nós + eles = minha taba é local, nossa aldeia é global.  Aqui a soma é sempre resulta sempre mais: sempre cabe mais um. Nessa equação, mais que dividir o bolo-de-rolo, multiplica-se o vinho, e também o café e ainda o tacacá. A coragem, rebeldia e subversão nos constituíram com as lutas por liberdade, desde Zumbi, Calabar, Anita Garibaldi, Olga & Prestes, Lamarca, Marighella, Niemayer. Forças que ainda reverberam em todos nós, por todos nós! Aos forasteiros imantados pela magia daqui, nosso grito primal: vinde e somai!

 

 

IV - PLURALIDADES DA ARTE

Brasil de vasto mapa, mapeadas a memória, a tradição e o folclore. como arte vivaz na contemporaneidade. Na palavra espontânea do repentista, as entrelinhas de um tratado filosófico. No movimento circular da dançarina de Lundu, a lição do sentido da vida. No semblante do brincante de Boi Bumbá, a ideologia que contagia com magia. A norma culta e a fala dita erudita, brindam abraçadas com os sotaques diversos e os falares populares dessa gente que tem o que dizer e sabe o que quer.  Toda filosofia estética cabe no olho que hoje sorriu ao avistar uma canoa no Rio Acre. Toda teoria poética cabe na voz do gaudério que entoa uma milonga na invernada. Toda ode antropológica cabe na dança do Xokleng que invoca seus ancestrais. A arte visual pulsa em batimentos inefáveis: seja na ruptura disruptiva das cores de um cocar em Parintins, seja nas nuances frias de uma rede tecida manualmente em Fortaleza, ou ainda nas tonalidades quentes do bordado em um vestido da Oktoberfest.  Nesse país, tem rabo-de-arraia na Capoeira de Angola em Itaparica. Tem ginete com potro chucro corcoveando em Barretos. Tem peregrinos que vem de longe ao Círio de Nazaré. Além da lenda: somos imersos em lindas lendas, contos curtos e causos tantos.  Yes, nós temos Carnaval. Aqui carnavalizamos a vida, invertemos os poderes instituídos e trocamos os papeis sociais. Sempre com ginga no pé, com ritmo na bateria e muita arte na fantasia.

 

V - DEVORAR LINGUAGENS PARA REGURGITAR CULTURA

Nesse lugar em que o Atlântico nos encontra, em que os ventos andinos nos alcançam, somos a herança das revoluções da América do Sol, do Sul do orbe, do céu mais azul.  Somos entretecidos em revoluções que nos formam e entrelaçados em utopias que nos transformam. Seguimos antropofágicos-antropomágicos. Aqui, ainda devora-se Sardinha, e com tempeiro mineiro. Ao digerirmos sabores da terra, deglutirmos saberes do mundo.  Sim: ainda bebemos cauim. Degusta-se axé de fala, graspa, garapa e chimarrão.  Nossa fé mais profunda, oblitera as sanhas oligarcas: antigos impérios patriarcais, clãs opressores e dinastias totalitárias aqui cedem lugar a solidariedades comunitárias, canções conjuntas e partilhas do pão entre iguais. Ainda há espaço para desideratos: há sonhos coletivos que desenham-se nas redes do pescador, há desejos amorosos no rasto da canoa, há mistério no tapete de estrelinhas alvacentas que o luar tece sobre a foz do Velho Chico.  Aqui o capitalismo foi devorado e regurgitado como pacto social. A elite não é eleita: da política poética à ética pacífica, da verve artística ao idílio utópico.  Fora fardas! Fora fardos! Fora feudos! Fora fraturas de futuros!  Adeus tropas, patrulhas e pelotões! Bem-vindos saraus, tertúlias e folguedos!

 

VI - NO LADO CERTO DA HISTÓRIA

Em nosso brasão brasilíaco dentro do coração, permanecem o verde-amarelo, tanto quanto o vermelhusco coruscante, rubro encarnado Brasil.  Na tela do porvir, o início de um novo destino e tintas do arco-íris.   O vizinho ao lado e do outro lado do mundo, nos fortalece, pois nossa rua é parte da pátria, estradas sem fim. Quem nos visita, em lume sublime ilumina-se. Eis que a (r)evolução já aconteceu. E, contamina, penetra, expande, pois a senha de nossa cidadania chama-se: afetividade!  Nosso estar no mundo contagia, sutilmente poliniza outras pólis, outros povos, país adentro, Brasil afora.

 

 

[Ação integrante do projeto GELEIA GERAL – A Semana de 22 Cem Anos Depois | Coord.: Artur Gomes (RJ)]

Mostra Visual De Poesia Brasileira

 

Balbúrdia PoÉtica - 14 de outubro

Balbúrdia PoÉtica -  Por Ética Dia 14 outubro das 18 às 22h Com lançamento do livro: Drummundana Itabirana Por Onde Andará Macunaíma? de Art...